Eu sinto a falta dele.

sábado, maio 31, 2014


Quando escrevi o título do post de hoje logo pensei na frase da Lispector "Eu sinto a falta dele como se me faltasse um dente da frente: excruciante". Quando pensava no sentido dessa frase eu tentava imaginar o tamanho de uma saudade assim. Mas, querem saber? Hoje eu estou sentindo na pele todo o significado que esse pensamento pode ter.

Eu sempre tive agonia com dente, sabe? É a minha parte preferida de mim: meus dentes. Quando criança todo mundo passa por aquela fase de ter que arrancar os dentes da frente, eu ainda lembro da sensação de quando perdi um dos meus. Antes de arrancar vem o medo. O medo da dor, da aflição, das sensações que a gente vai ter e nem sabe, mas imagina. Depois que arranca e passa aquela dor, fica um vazio. Sabe quando a gente passa a língua por entre os dentes e, opa! Cadê ele? Falta alguma coisa ali, e você sabe disso. Com o passar do tempo a gente acaba acostumando, e até faz graça. Perde a vergonha de sorrir pra foto mesmo sabendo que falta uma parte da gente ali, que não esta tão bonito quanto costumava ser, chega a ser engraçado até.

Tem saudade que é assim. E é verdade, eu sinto a falta dele. Sinto medo da distância ser tão grande assim, do tempo não ser o suficiente. E tem vezes que essa saudade provoca dor, que nem a que eu tô sentindo agora, como se tivessem arrancado um pedaço tão necessário de mim. Ta vazio hoje, entende? Quero dizer, a casa ta vazia e a cidade ficou assim, de repente, tão grande pra mim. Eu sei que com o passar do tempo eu vou acostumar. Que vou voltar a sorrir nas fotos e achar graça das nossas bobagens, mas eu ainda vou sentir a falta dele. E vai ser assim, até a gente se encontrar outra vez. 


excruciante 

ex.cru.ci.an.te 
adj m+f (de excruciar1 Que excrucia. 2 Aflitivo, doloroso, lancinante, pungente.


Eu sinto mesmo a falta dele.

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8 comentários

  1. Alana, aqui no meu pc não aparece nenhuma imagem ilustrativa, portanto, não posso saber se o texto se trata de um rompimento afetivo ou uma partida por motivo de falecimento. Se for por falecimento, a certeza do reencontro é reconfortante, mas ela se torna apenas reconfortante quando você mesmo disse: quando "se acostumar". Eu chamaria de aliviar, não se acostuma com uma dor assim.
    Se for um rompimento amoroso, a alusão do dente acaba por fazer mais sentido.
    Lembre-se que depois dos dentes de leite, do vazio deles, renascem outros, novos e mais fortes, mas que é preciso cuidar para não perdê-los.

    http://umelementoneutro.blogspot.com.br

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  2. O post não tem nenhuma imagem ilustrativa mesmo, só na página do facebook. Mas o texto não se trata de nenhum dos dois motivos. Só do sentimento de saudade mesmo/namoro a distância. Sou intensa demais, rs, eu sei que da pra pensar os outros dois motivos com o texto mas, enfim, é isso. Obrigada!

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  3. Não sou de comentar aqui mas visito todos os dias. Hoje não pude passar direto sem deixar um comentário, senti cada palavra do seu texto. Acho que hoje também me sinto assim. Lindo texto!

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  4. Priscila! É tão bom receber comentários aqui e saber o que vocês leitores acharam.
    Obrigada por visitar todos os dias, fico feliz em saber disso. :)
    E obrigada pelo comentário.

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  5. Além de ótima fotógrafa ta partindo pro lado de ótima escritora também? Texto lindo, Nana! ♥

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  6. Fazia tempo que não escrevia assim, tava inspirada ontem, haha
    Brigada, Thy. Que bom que gostou! ♥

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  7. Eu sei como se sente, me abraça vk <3

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  8. Acho que as dores não diminuem, mas vão ficando menos excruciantes com a idade. Fico sempre pensando "supero essa, já vivi/vivemos tanta coisa pior". Pensa assim e logo o tempo do reencontro chega... <3

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